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 Tive oportunidade de concretizar um antigo sonho: estar presente nuns Jogos Olímpicos. Os primeiros Jogos Olímpicos de que tenho memória são os de Montreal, no Canadá, corria o ano de 1976. Desde logo fiquei fascinado pelo envolvimento daquela grande competição e pelos magníficos desempenhos, ainda que, na altura, não tivesse grande noção de quanto bons eles eram.
A viagem para Beijing Viajámos para Beijing com a KLM via Amsterdam. Tudo decorreu com normalidade não fosse os comandos da minha cadeira estarem avariados. Desse modo não havia som, fosse para ouvir uma simples música ou para acompanhar os filmes que aceleravam a passagem do tempo. Posso dizer que se voltar a voar com a KLM ficarei satisfeito. A Casa do Triatlo A Federação de Triatlo esforça-se para que tudo aquilo que faz seja feito com um rumo, delineado através de um planeamento cuidadoso. Ninguém esperaria que para os Jogos Olímpicos as coisas fossem diferentes. E não foram. O local de competição havia sido visitado nos anos anteriores e o alojamento testado no sentido de garantir que reunia as condições ideais para os nossos atletas. E quando falo de condições ideais falo, essencialmente, da proximidade dos locais de treino, do sossego para que o descanso fosse efectivo e da alimentação adequada às necessidades. Assim, alugámos uma villa num complexo hoteleiro a poucos minutos a pé da zona de competição. Simplesmente perfeito. Dois elementos da comitiva viajaram com dois dias de antecedência, no sentido de poderem garantir que tudo estaria nas condições desejadas. E tal assim aconteceu. Contrariando a ideia, imbecil, que alguns opositores espalharam, a comitiva do Triatlo não era demasiado grande. Para além dos atletas, técnicos e massagista, que viajaram sob a égide do Comité Olímpico, a Federação de Triatlo fez deslocar 3 pessoas, as quais tiveram tarefas para desempenhar em Pequim. É pois lamentável que se tentem passar ideias deturpadas sobre as coisas, para com isso tentar retirar proveitos pessoais ou plea simples necessidade de dizer mal. Sexualidade mal orientada é o que eu penso disso. Mas a isso, os medíocres também já nos habituaram.  Beijing Infelizmente o tempo não foi suficiente para conhecer Beijing. Aliás, creio que não haverá nunca tempo para conhecer aquela magnífica cidade. Beijing surpreendeu-me pela positiva. Uma mescla de tradição com modernidade sempre com contornos de grandiosidade. Nunca antes havia estado em nenhum local que se lhe possa comparar e, seguramente, na Europa não haverá cidade semelhante. Tivemos oportunidade de visitar um troço da Grande Muralha da China, que passava relativamente perto do local onde tínhamos o nosso quartel-general e as imediações da Praça Tianamen. O resto... lemos no guia da American Express. Nenhuma cidade é indissociável das pessoas. Os chineses são um povo simpático ainda que com uma formatação longínqua da nossa, ocidentais. A comunicação não era fácil, pois poucos são os que falam inglês. Mas como bons portugueses que somos, temos a inata capacidade de comunicar com todos os povos, pelo que, em português mesmo, nos fazíamos entender. De facto a cada deslocação que faço, fica para mim mais claro porque chegámos de barco a todo o Mundo e como em todo o Mundo deixámos raízes.  Os Jogos Brutal. Os chineses fizeram uma piscina onde se voava e uma pista de atletismo onde também se voava. Os resultados foram brutais! Assisti às finais de ginástica masculina, a um jogo de voleibol (China-Japão), a duas sessões de atletismo e a uma de Natação. Vi o Michael Phelps ganhar a sua oitava medalha; vi a Dara Torres sacar a sua segunda prata com 41 anos; vi o Usain Bolt esmagar na final dos 100m. Tudo isto num ambiente inesquecível. O ambiente era perfeito para tudo isto. É que os chineses são tantos que podem envolver muita gente nas coisas. Podem? Não. Envolveram mesmo. Na ideologia que preside aos seus destinos não há lugar ao desemprego. Portanto, todos fazem alguma coisa, mesmo que sejam três a fazer o trabalho de apenas um. Mas o que é certo é que as coisas acontecem e eles têm orgulho que assim seja. Assim, caso não houvesse espectadores para encher os estádios havia chineses para fazer público. O Triatlo Desportivamente as coisas correram muito bem. Se ainda a Vanessa pudesse pensar no ouro, a Emma, naquele dia estava imbatível e ganhou sem espinhas. O segundo lugar foi mesmo o melhor possível face a uma adversária que esteve perfeita. A Vanessa correu ao nível do que havia feito no ano anterior (gastou apenas mais 5") mas a Emma voou 2' mais rápida do que no ano anterior. Já os homens deram tudo o que tinham. Vi o Tim Don, campeão do Mundo em 2006, ser dobrado e ficar de fora. Vi o grande favorito, Gomez Noya ser arredado nos últimos metros... O Triatlo serrá, no sector masculino, uma das modalidades mais abertas que existe. Há favoritos, mas muitas vezes ganha quem menos se espera. É mesmo assim e as pessoas, especialmente cá em Portugal, parecem ter dificuldade em compreender isso. De qualquer forma, fica a referência para a prova de grande nível do Bruno Pais. Ele já merecia ter ido a Atenas. Entã, havia morrido na praia, no Funchal, quando um erro o arredou do grupo e o deixou como o primeiro não apurado! Em Beijing tornou o seu sonho realidade e mostrou que ainda se vai ouvir falar dele.
À margem Alguns acontecimentos que envolveram a Missão portuguesa poderiam ter sido surpreendentes. Contudo, conhecendo cada vez melhor os personagens envolvidos considero-os perfeitamente normais. Felizmente acredito que as coisas mudarão, pois cada vez mais a competência se sobrepõe a outros aspectos, mais nebulosos, das relações pessoais e institucionais. Os grandes problemas surgem quando são mais as excepções que as regras. Essa falta de cumprimento leva a desiquilíbrios, a descontentamentos, a quebra de regras e à arte do desenrasca. O resultado é a quebra dos laços e o desmoronar das instituições, o que muita vezes acontece com os primeiros sinais a virem do topo das hierarquias, de quem devia ter mais serenidade e responsabilidades... Enfim... Para terminar, deixo algumas notas, sobre aquilo que penso dever ser relevado. Marco Fortes. Uma declaração infeliz levou a que fosse queimado vivo como no tempo da Santa Inquisição. Dirigente que se preze defende e protege os seus soldados. Eu estou com ele! Nelson Évora. Tive oportunidade de o conhecer na Aldeia Olímpica. É uma máquina de boa disposição e mereceu tudo o que lhe aconteceu. Vanessa Fernandes. Brilhante. Entre ela e a Emma Snowsill está a melhor do Mundo. Eu tenho sérias dúvidas em saber qual das duas o é... Se é que isso é importante! Fez umas declarações algo deselegantes mas carregadas de verdade! E a verdade às vezes a verdade dói. Sérgio Paulinho. Porque será que ninguém fala da sua ausência? Naide Gomes. Azar do caraças. Era a medalha mais certa. Judocas. Julgo que colocaram a fasquia alta demais... Comunicação. Não entendo como é que os responsáveis pela comunicação não condicionaram os atletas nas suas declarações. Declarações efectuadas após esforço, sob o stress competitivo, muitas vezes debaixo da frustração de um resultado, outras no extâse do sucesso, podem não dar bom resultado. E para quem sabe como são os jornalistas (sem generalizar, obviamente) estava claro que ia dar isto.
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